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Futuro entre os vestígios  do passado 

Poluição, superlotação e pouca eficiência: o transporte público rodoviário em Campinas já não é mais suficiente para uma cidade de mais de um milhão de habitante. Neste ano, a Emdec permitiu que os campineiros avaliassem o transporte público por meio de uma pesquisa em um aplicativo, e o resultado foram críticas à demora, a má qualidade e o alto custo das passagens das passagens de ônibus.

Investimentos do poder público em transportes ferroviários municipais e interurbanos poderiam ser a solução para melhorar a qualidade do deslocamento da população. Campinas fracassou em tentativas de ter transportes ferroviários dentro da cidade, como no antigo VLT, operado de 1990 a 1995 e que atendeu aproximadamente 40% do público esperado pela falta de infraestrutura.

 

“O VLT de Campinas surgiu a partir da proposta da “Rede Básica de Transportes do Município” de 1983 e retomada em 1990 com maior ênfase através de um acordo político entre o Governo Estadual, detentor da estrutura ferroviária e o Governo Municipal. O plano inicial previa a reutilização da malha ferroviária Norte-Sul da cidade, ou seja, reaproveitar 25 km de ramais desativados das extintas Cia. Sorocabana e Cia. Mogiana. Foram muitos os equívocos de projeto e de implantação que levaram ao abandono do sistema”, explica Pablo Costa, arquiteto e mestre em urbanismo pela PUC-Campinas.

VLT funcionando em Campinas na década de 1990

Situação atual de uma antiga linha do VLT

Não é difícil encontrar moradores da cidade que utilizavam os trens campineiros no passado e que gostariam que essa opção de transporte voltasse a ativa. “Me lembro que os trens eram bem conservados e o fluxo de passageiros era grande. Utilizava os trens da Estação Ferroviária de Campinas, e algumas vezes o VLT, e minha experiência foi muito positiva. A passagem era barata e o transporte era mais seguro e eficiente do que os ônibus, que hoje são lotados e demorados. Seria ótimo se ainda tivéssemos os trens ou se construíssem metros”, conta o analista de TI Clovis Tristão, de 45 anos.

 

O abandono no VLT na década de 1990 não causou somente prejuízos ao deslocamento da população, mas também a rotina da população que vive próximas aos trilhos e estações abandonadas. “As estações abandonadas hoje são locais onde vivem usuários de drogas e os entulhos dos trilhos formam locais de criação de mosquitos. Temos medo da violência ou de sermos contaminados com alguma doença, pois o local fica bem próximo das casas do bairro”, relata a roteirista Ana Nitolo, de 36 anos, que mora no Jardim Aurélia, onde há uma estação abandonada do VLT.

Atualmente, a estação do Jardim Aurélia está em estado de abandono. com acúmulo de lixo e relatos de casos de violência na região

Em nota, a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano afirma que tem intenção de reinaugurar o VLT mas que não há uma previsão de retomada do projeto, pois a prioridade no momento é a implementação do BRT, o ônibus de trânsito rápido que transitará em corredoras nas as antigas linhas do VLT. A prefeitura também afirma que pretende construir um trem ligando as cidades de Americana, Campinas e São Paulo, orçado em cinco bilhões de reais e com previsão de atender 60 mil passageiros por dia. Porém, o projeto ainda não saiu fase de planejamento.

 

O urbanista Pablo Costa faz uma crítica à administração da cidade em relação aos projetos de reestruturação das ferrovias: “Campinas se auto define uma cidade da inovação e da tecnologia, mas não consegue refletir essa inovação no território urbano e, muito menos, no pensar a cidade. Em pleno século XXI, em uma cidade de mais de um milhão de habitantes, sede de uma região metropolitana de mais de três milhões de habitantes, não conseguimos criar diretrizes e projetos para um transporte sobre trilhos eficaz de média ou de alta demanda; não conseguimos produzir um plano de ação ou um projeto estratégico para a implantação de um metrô em muitos anos. Precisamos de menos marketing e mais ação por parte dos governantes”.

Os últimos trens de passageiros operaram em Campinas há cerca de duas décadas e as previsões para projetos futuros são incertas

Foto por: Gabriela Bratfisch

Foto por: Gabriela Bratfisch

Foto por: Gabriela Bratfisch

Infográfico por: Campinas sobre Trilhos/ Fonte dos dados: Wikipedia

Gabriela Bratfisch 

População está insatisfeita com a situação dos trens de Campinas, que têm futuro incerto nas mãos do governo municipal

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